sexta-feira, 30 de março de 2012

BUDA E O CAPITALISMO

            “Quem tem cem desejos tem cem mortificações...
            Quem tem noventa e nove desejos tem noventa e nove mortificações...
            Quem tem noventa e oito desejos tem noventa e oito mortificações...
            Quem tem noventa e sete desejos tem noventa e sete mortificações...
            .................................................................................................................
            Quem tem um desejo tem apenas mortificação...
            Quem não tem desejos não tem mortificações!...”
            Como alguns de vocês já perceberam a citação acima é um “mantra”, tipo de oração budista. Segundo esta religião, seita ou filosofia oriental (cada um trata de uma forma, segundo sua visão hermenêutica) no desejo (ou ambição) está a origem de todas as mortificações (sofrimento) humana. Quem não tem ambição, não sofre, nem se estressa, nem se sente humilhada nem diminuída. Dá graças a Deus pelo pão de cada dia e pelo teto que o cobre. Viver um dia depois do outro é única razão para ser feliz!
            Nem tanto o céu, nem tanto a terra!... Nós precisamos nascer quando estamos no útero de nossas mães. Nós precisamos crescer quando somos crianças. Nós precisamos nos preparar para vida! Para grande o combate da seleção natural e pela integração no meio social. Não basta ser “alfa”, tem que galgar um pouco mais para atingir o nível “alfa plus”! Na realidade em momento algum da história da humanidade viveu-se sem ambições. Nem nos monastérios, onde sempre existe uma competição interna.
            Porém, em verdade, o mantra não chega a ser falso! Qualquer ambição corresponde a uma quantidade de aflições e sofrimentos. Mas existe o momento eufórico da conquista! Como em um efêmero orgasmo, atinge-se píncaros da glória em um lapso de tempo infinitesimal. É a compensação!...
            Mas no sistema capitalista do século XXI, o consumismo tornou-se uma razão de ser. Através de procedimentos de torturas chamados “marketing”, faz as pessoas desejarem miríades de bens, que às vezes nem necessitam. A cada aquisição, o prazer da conquista é ofuscado por outro desejo de consumo. Por fim chega-se a uma total frigidez, como se “ter” fossa natural e não ter uma forte ameaça contra a própria vida. Consumir torna-se uma necessidade como comer, dormir, etc. A partir daí a vida é apenas desejos e mortificações!...



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