Para aqueles que pensam
que tudo que pode ser feito pelo setor privado o Estado não deve intervir vou
narrar uma experiência vivida.
No início de mil
novecentos e oitenta e um soube que e “Escola Técnica Itu”, uma instituição de
ensino privada, localizada em Bento Ribeiro, bairro e estação de trem do Rio de
Janeiro, anunciou que precisava de professores. Munido de meu diploma
universitário e meu mestrado, e um curriculum vitae, me candidatei a uma vaga
para professor de química. Fui chamado, junto com outros candidatos à presença
do diretor: Professor Luiz Carlos Cruz, que preferiu me colocar para dar
algumas aulas de “Eletrônica Básica”, de acordo com minha formação técnica de
nível médio. No término da reunião o Diretor tomou a palavra e disse em tom
bastante enfático: Isto aqui é uma Empresa de Ensino, o nosso objetivo
principal e lucro. Lecionei por seis meses e pude constatar que esta afirmação
não era mera retórica.
Atividades como educação e
saúde não deveriam ser explorada pela iniciativa privada. Visto que seu acesso
no mundo moderno é um direito de todo cidadão. Em um país democrático todos
deveriam, em tese, ter os mesmos direitos de acesso a educação e à saúde.
Energia, recursos minerais
e comunicação são setores da economia que precisar de um rigoroso controle do
estado. Embora não exista a necessidade de estatização, o controle destes
setores torna-se mais fácil quando é estatizado. Foi a opção feita pela ditadura
militar brasileira, após 1968 (Governo Médici). Uma grande multinacional de
telefonia, como forma de boicote ou retaliação, pode deixar um governo
incomunicável (Presidência, ministérios, Câmara, Senado, varas de justiça,
etc.), ou deixar bombeiros hospitais e polícia inoperantes. Uma retaliação também
pode ser feita com o corte geral de energia elétrica ou distribuição de
combustíveis. A gana de um grande grupo internacional pode fazer exaurir as
reservas estratégicas de um determinado mineral, fazendo com que um país
fortemente exportador passe a ser importador, em pouco tempo. Não estou dizendo
que estes setores, no atual sistema capitalista, não possam ser explorados pela
iniciativa privada. Estou falando que deve haver leis e instituições reguladoras
fortes, para evitar “arranhões” na soberania nacional.
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