terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O CONTRAPONTO DO LIBERALISMO

Para aqueles que pensam que tudo que pode ser feito pelo setor privado o Estado não deve intervir vou narrar uma experiência vivida.
No início de mil novecentos e oitenta e um soube que e “Escola Técnica Itu”, uma instituição de ensino privada, localizada em Bento Ribeiro, bairro e estação de trem do Rio de Janeiro, anunciou que precisava de professores. Munido de meu diploma universitário e meu mestrado, e um curriculum vitae, me candidatei a uma vaga para professor de química. Fui chamado, junto com outros candidatos à presença do diretor: Professor Luiz Carlos Cruz, que preferiu me colocar para dar algumas aulas de “Eletrônica Básica”, de acordo com minha formação técnica de nível médio. No término da reunião o Diretor tomou a palavra e disse em tom bastante enfático: Isto aqui é uma Empresa de Ensino, o nosso objetivo principal e lucro. Lecionei por seis meses e pude constatar que esta afirmação não era mera retórica.
Atividades como educação e saúde não deveriam ser explorada pela iniciativa privada. Visto que seu acesso no mundo moderno é um direito de todo cidadão. Em um país democrático todos deveriam, em tese, ter os mesmos direitos de acesso a educação e à saúde.
Energia, recursos minerais e comunicação são setores da economia que precisar de um rigoroso controle do estado. Embora não exista a necessidade de estatização, o controle destes setores torna-se mais fácil quando é estatizado. Foi a opção feita pela ditadura militar brasileira, após 1968 (Governo Médici). Uma grande multinacional de telefonia, como forma de boicote ou retaliação, pode deixar um governo incomunicável (Presidência, ministérios, Câmara, Senado, varas de justiça, etc.), ou deixar bombeiros hospitais e polícia inoperantes. Uma retaliação também pode ser feita com o corte geral de energia elétrica ou distribuição de combustíveis. A gana de um grande grupo internacional pode fazer exaurir as reservas estratégicas de um determinado mineral, fazendo com que um país fortemente exportador passe a ser importador, em pouco tempo. Não estou dizendo que estes setores, no atual sistema capitalista, não possam ser explorados pela iniciativa privada. Estou falando que deve haver leis e instituições reguladoras fortes, para evitar “arranhões” na soberania nacional.

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