sábado, 22 de outubro de 2011

DEIXA-ME EM PAZ, Ó CÃO!


Faz mais de trinta anos. Em uma noite de primavera de 1979. Estava em Batumi, principal porto da República da Geórgia, fronteira com a Turquia. Sentei-me à luz do luar para escrever poesias. Quando apareceu um cachorro. Lembro-me que ele era negro. E de grande porte, também. Mas não me assustei, Estava muito carente. Buscava afagos, e não me deixava escrever uma letra sequer. Como me concentrar para trazer à tona uma linda composição de amor? Foi então eu cheguei e disse para ele:


Deixa-me em paz, ó cão!
Pois não vês que tu me impedes,
De escrever belos versos de amor,
Tão puros como o primeiro amor.
Vem compartilhar comigo toda solidão,
Como o melhor amigo,
Embora desconhecido!
Tu estás só, ó cão.
Te compreendo e por isso
Te acaricio!
Deixa-me em paz, ó cão!
Que culpa tenho se a cadela te deixou?
Passa daqui, ó cão!
Que estou sofrendo este mesmo mal de amor!...

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