terça-feira, 27 de setembro de 2011

PROSTITUIÇÃO INFANTIL


Foram vinte dias de férias curtindo este nosso imenso Brasil! Não tinha pressa, saí das auto-estradas mais badaladas e tomei um caminho alternativo, que passava por um grande número de cidades pequenas e médias. Não muito longe de uma cidadezinha um pouco maior, parei em um posto para abastecer com óleo diesel. Como já estava anoitecendo, resolvi pernoitar por ali mesmo. Havia um hotel de viajantes, mas estava lotado. Mas encontrei outro hotel atrás do posto, que nem merecia este nome. Logo percebi que se tratava de um prostíbulo. Aluguei um quarto assim mesmo, o mais reservado possível, e fui jantar no restaurante do hotel do posto. Eu estava cansadíssimo. Havia rodado o dia inteiro. Às sete horas caí em um sono profundo para acordar com muito calor, pois o quarto não possuía janelas. O ventilador de teto só piorava a situação. Ouvia música, como se houvesse uma grande festa. Olhei o relógio: uma hora e meia da madrugada. Havia dormido mais do que imaginava. Tomei um banho, me vesti e saí. Na rua uma brisa fresca me envolveu. Senti-me bem. Saí para caminhar. Dei a volta no quarteirão. Um muro alto me acompanhava em todo percurso. Próximo à esquina havia uma pichação: “Eat our kids!” Achei estranho. Do outro lado, em uma rua pouco iluminada pude ver umas crianças sentadas em uma escadaria de uma casa quase em ruínas. Uma delas se dirigiu a mim:
- Sabe moço, eu sou uma menina de rua. Vivo nesta calçada!... Ganho a vida fazendo amor!
A menina era branca, lourinha, porém vestia uma roupa encardida e seu rosto estava todo sujo.
- Tenho dez anos!... Gosto de fumar, mas não gosto de drogas!...

- Meu Deus!... Espantei-me. Não é possível que com essa idade você já tenha experimentado fazer amor!...

Eu olhava perplexo para a criança. Foi aí que ela se ofereceu:

- Eu tenho dez anos, mas agüento brincar com você!... pode fazer em mim!... Eu fico nesta rua suja... É o lugar onde ganho meu dinheiro!... Vem visitar meu quarto!... Vem fazer amor comigo!... Eu preciso comer!...

- Você ainda é uma criança!... Você cobra quanto por programa? Perguntei curioso.
- Eu tenho só dez anos. Mas sei fazer sexo!... Eu sou uma criança e gosto de brincar: vem brincar comigo! Vem brincar de amor!... Dez reais!... Vem!...
Dez reais! Aquilo apertou meu coração. Uma criança se oferecendo por tão pouco dinheiro!
- Como você entrou nesta vida?
- Um velho, de madrugada, na calçada, me ofereceu duzentos reais!... Senti todo o negócio do velho como uma faca afiada!... Doeu, mas fiquei com duzentos reais!... Uma semana depois ele levou-me para casa dele, tirou minha roupa, me colocou de quatro!... Doeu e saiu muito sangue, mas fiquei com mais duzentos Reais!... Depois nunca mais apareceu.
Depois se ofereceu de novo, com uma carinha de pedinte:
- Eu só tenho dez aninhos!... Olha minha bocetinha! Ela é toda tua!... Por dez Reais!... Chupo por cinco!
Havia outras meninas no local. Olhei para parede e li outra vez a pichação: “Eat our kids!” Ou seja “coma nossas crianças”, literalmente, em inglês. Voltei a repetir, impressionado:
- Por quanto você faz um programa?
- Dez reais! A garota sorriu animada. Pode fazer de verdade!... Se você tiver o negócio muito grande, faz com cuidado. Faz sexo comigo, cara! Hoje vou levar pão para para minha mãe!... Hoje minha irmãzinha terá um pouco de leite... Ela não será uma garota como eu!... Ela vai estudar!...
Coloquei minha mão no bolso e tirei uma nota, Era de cinco Reais. Coloquei na mão dela.
- Por cinco reais eu só faço boquete!
Procurando melhor nos bolsos encontrei uma nota de cinqüenta reais. Dei à menina e disse que não queria fazer programa. Mas gostaria de bater um papo com ela e com as amigas.
- Eu tenho duas amigas!... A Andressa e a Giselle. Elas fazem o que eu faço. Só que eu sou mais bonita! Obrigado pelo dinheiro!... Eu quero muito viver!...
- Andressa só tem nove anos! Ela é bonitinha! Eu quero levar pão para mamãe com o dinheiro que você me deu!... Obrigada!...
- Giselle tem doze anos. Ela também faz o que eu faço. Mas eu sou mais bonita!... Quero sair dessa vida, estudar e viver muito! Vou comprar leite para minha irmãzinha e pão para minha mãe com esse dinheiro!...
Ela estava em estado de graça com o dinheiro que eu dei para ela.
- Tio!... Eu ainda sou uma criança!... Me põe no colo e me dá um beijinho!... Eu sou uma criança!... Deixa eu brincar com você!... De Cavalinho!... Upa! Upa!... Me faz carinho!... Vamos brincar de pique?... Vem cantar para mim!... Me leva no circo!... Eu sei quem eu sou!... Faço programas: Eu sou uma puta!... Uma putinha de dez anos!...
- Moço!... Eu sei que você não quer fazer sexo comigo porque tem pena de mim. Por isso me deu dinheiro. Eu sou uma menininha!... Eu só tenho dez anos. Não tenho pai. Mamãe até trabalha, às vezes! Só tenho minha xoxotinha para oferecer!... Eu queria ser feliz!... Ir à escola, comida todo dia na mesa. Ser uma criança normal!... Ter um namorado da minha idade. Que me amasse de verdade!... Eu não queria ser puta!...
Voltei ao hotel, paguei as contas e duas horas da manhã eu estava na estrada. Minhas lágrimas escorriam!... Quantas crianças vivem nesta situação no país?... Eu chorava copiosamente, embaciando meus olhos a ponto de atrapalhar eu dirigir minha Ranger!...



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