....................Soube de algumas pessoas ficarem abichornadas pelo fato de eu ser agrônomo, doutorando em genética e melhoramento vegetal e nunca ter escrito nada sobre temas ligados a minha especialidade. Resolvi tomar coragem e escrever alguma coisa sobre tansgênicos. Vou pegar pesado!
....................OGM – organismo geneticamente modificado, também conhecido como transgênico é considerado por muitos como mais um vilão, inimigo do homem e da natureza. Tem sido colocado no mesmo nível que o desmatamento, os agrotóxicos, os combustíveis fósseis, etc. Existem aqueles que afirmam que o uso de OGM com o objetivo de obtenção de medicamentos é aceitável, porém deve ser feito de forma controlada, para evitar contaminação ao meio ambiente, porém seu uso para obtenção de produtos agropecuários, para a alimentação humana é, no mínimo inconseqüente, pois não se sabe o efeito destes produtos a longo prazo para o organismo humano.
....................Na realidade o caráter maléfico da transgenia para o meio ambiente, como para todos os tipos de tecnologia humana, depende do uso que se dá. O aumento da produtividade agrícola proporcionado por OGM poderia levar o homem a frear, ou até mesmo parar o processo de desmatamento, desde que fosse feito uma política direcionada neste sentido. O desenvolvimento de plantas com a capacidade de absorção maior de nitrogênio e fósforo do solo, em gramíneas, poderia transformar solos totalmente degradados e erodidos em verdejantes pastagens.
....................Quando pegamos o gene de uma bactéria e colocamos em um animal, ou o gene de um animal e colocamos em uma planta mexemos com todo o metabolismo do organismo, travando ou criando novas rotas metabólicas. Quando se cria uma nova rota metabólica, além de se obter o efeito desejado, criamos novos efeitos e substâncias desconhecidas, que, em tese, poderia fazer mal ao organismo humano quando ingerido. Porém a inclusão de um gene, que como já sabemos, funciona como um pequeno arquivo onde armazena os dados sobre a composição dos polipeptídios (proteínas), geralmente não modifica de forma tão complexa o metabolismo a ponto de ocorrer rotas paralelas, e se ocorre, é pouquíssimo provável que se produza substancias tóxicas para o ser humano. Em todo caso, testes são feitos com animais, antes de se lançar um produto no mercado. Falar em efeitos de longo prazo, não detectáveis em animais, me parece quase um delírio.
....................Um marcador freqüente usado em OMG é o uso de gene resistência à antibiótico ligado ao gene de interesse. No processo de produção dos trasngênicos, em determinado momento se coloca altas doses de um determinado antibiótico, todos os organismos morrem, menos os geneticamente modificados. Ao contrário do já cheguei a ler a respeito, este gene, em plantas, não tem a menor capacidade de se transferir para bactérias, nem são capazes de produzir substâncias nocivas ao homem. Em todo caso existem outros tipos de marcadores, como o gene de uma enzima que na presença de uma determinada substância, a faz mudar de cor. As plantas coloridas serão as transgênicas.
....................O fato dos produtores terem que comprar sementes geneticamente modificada e pagar royalties por ela, faz parte do capitalismo. Não vou discutir sobre este assunto, no momento, porque tenho me batido muito contra o sistema burguês em outros artigos.
....................Por último deixei pra falar sobre o fluxo gênico. Existe o perigo de que o gene modificado venha a contaminar o meio ambiente. Este, sim, é um perigo real. Mesmo assim pouco provável. Aqui temos que ver duas possibilidades: contaminação de espécies afins e contaminação de raças locais. São raríssimos os relatos de cruzamentos naturais de plantas de espécies cultivadas com espécies silvestres que tenha vingado na natureza. Isto porque híbridos interespecíficos costumam ser mais fracos e pouco férteis, sendo eliminadas através da seleção natural após poucas descendências. Como as variedades de plantas cultivadas não costumam ter vantagem seletiva sobre as rústicas, pois as primeiras foram criadas para se desenvolverem em ambiente artificial, criada pelo homem, seus híbridos seriam naturalmente eliminados através de um processo denominado “deriva genética”, quando a população ainda for pequena. Porém o plantio sistemático de OGM próximo a variedades rústicas, poderá vir a contamina-las, sim. Embora dificilmente. Principalmente se for espécie que usa polinização cruzada, como o milho. No caso de plantas que usam autofecundação como o feijão, o arroz e a soja, a contaminação é muito mais rara.
....................O uso de transgênicos na agricultura é uma conseqüência natural da revolução verde, quando foram introduzidas a adubação química e o uso de agrotóxicos e cultivares altamente produtivos. Muita gente critica este modo de produção agrícola por ser lesiva ao meio ambiente e não proporcionar uma alimentação saudável ao ser humano, o que eu concordo. Mas este sistema tem garantido, ainda que mal (não pela tecnologia, mas pelo sistema de exploração existente no mundo) a alimentação de seis e meio bilhões de pessoas, sendo que nos países desenvolvidos (onde se usa mais agrotóxicos e adubos químicos) isto é feito, praticamente, sem expandir a fronteira agrícola. Infelizmente ainda não existe nenhum sistema orgânico ou ecológico capaz de alimentar toda a população da terra. Não podemos falar em um novo paradigma se não temos novas alternativas. Não podemos falar em novas alternativas sem investirmos em novas tecnologias. No sistema capitalista só existe investimento se for para fins altamente lucrativos. Então precisamos de um sistema agropecuário orgânico, ecológico, com elevada produtividade, tanto no trabalho quanto em unidade de área, e ainda por cima competitiva. Quem desenvolver ficará rico! Enquanto não se consegue um sistema mais racional de agricultura o uso de transgenia pode ser uma alternativa válida.
....................OGM – organismo geneticamente modificado, também conhecido como transgênico é considerado por muitos como mais um vilão, inimigo do homem e da natureza. Tem sido colocado no mesmo nível que o desmatamento, os agrotóxicos, os combustíveis fósseis, etc. Existem aqueles que afirmam que o uso de OGM com o objetivo de obtenção de medicamentos é aceitável, porém deve ser feito de forma controlada, para evitar contaminação ao meio ambiente, porém seu uso para obtenção de produtos agropecuários, para a alimentação humana é, no mínimo inconseqüente, pois não se sabe o efeito destes produtos a longo prazo para o organismo humano.
....................Na realidade o caráter maléfico da transgenia para o meio ambiente, como para todos os tipos de tecnologia humana, depende do uso que se dá. O aumento da produtividade agrícola proporcionado por OGM poderia levar o homem a frear, ou até mesmo parar o processo de desmatamento, desde que fosse feito uma política direcionada neste sentido. O desenvolvimento de plantas com a capacidade de absorção maior de nitrogênio e fósforo do solo, em gramíneas, poderia transformar solos totalmente degradados e erodidos em verdejantes pastagens.
....................Quando pegamos o gene de uma bactéria e colocamos em um animal, ou o gene de um animal e colocamos em uma planta mexemos com todo o metabolismo do organismo, travando ou criando novas rotas metabólicas. Quando se cria uma nova rota metabólica, além de se obter o efeito desejado, criamos novos efeitos e substâncias desconhecidas, que, em tese, poderia fazer mal ao organismo humano quando ingerido. Porém a inclusão de um gene, que como já sabemos, funciona como um pequeno arquivo onde armazena os dados sobre a composição dos polipeptídios (proteínas), geralmente não modifica de forma tão complexa o metabolismo a ponto de ocorrer rotas paralelas, e se ocorre, é pouquíssimo provável que se produza substancias tóxicas para o ser humano. Em todo caso, testes são feitos com animais, antes de se lançar um produto no mercado. Falar em efeitos de longo prazo, não detectáveis em animais, me parece quase um delírio.
....................Um marcador freqüente usado em OMG é o uso de gene resistência à antibiótico ligado ao gene de interesse. No processo de produção dos trasngênicos, em determinado momento se coloca altas doses de um determinado antibiótico, todos os organismos morrem, menos os geneticamente modificados. Ao contrário do já cheguei a ler a respeito, este gene, em plantas, não tem a menor capacidade de se transferir para bactérias, nem são capazes de produzir substâncias nocivas ao homem. Em todo caso existem outros tipos de marcadores, como o gene de uma enzima que na presença de uma determinada substância, a faz mudar de cor. As plantas coloridas serão as transgênicas.
....................O fato dos produtores terem que comprar sementes geneticamente modificada e pagar royalties por ela, faz parte do capitalismo. Não vou discutir sobre este assunto, no momento, porque tenho me batido muito contra o sistema burguês em outros artigos.
....................Por último deixei pra falar sobre o fluxo gênico. Existe o perigo de que o gene modificado venha a contaminar o meio ambiente. Este, sim, é um perigo real. Mesmo assim pouco provável. Aqui temos que ver duas possibilidades: contaminação de espécies afins e contaminação de raças locais. São raríssimos os relatos de cruzamentos naturais de plantas de espécies cultivadas com espécies silvestres que tenha vingado na natureza. Isto porque híbridos interespecíficos costumam ser mais fracos e pouco férteis, sendo eliminadas através da seleção natural após poucas descendências. Como as variedades de plantas cultivadas não costumam ter vantagem seletiva sobre as rústicas, pois as primeiras foram criadas para se desenvolverem em ambiente artificial, criada pelo homem, seus híbridos seriam naturalmente eliminados através de um processo denominado “deriva genética”, quando a população ainda for pequena. Porém o plantio sistemático de OGM próximo a variedades rústicas, poderá vir a contamina-las, sim. Embora dificilmente. Principalmente se for espécie que usa polinização cruzada, como o milho. No caso de plantas que usam autofecundação como o feijão, o arroz e a soja, a contaminação é muito mais rara.
....................O uso de transgênicos na agricultura é uma conseqüência natural da revolução verde, quando foram introduzidas a adubação química e o uso de agrotóxicos e cultivares altamente produtivos. Muita gente critica este modo de produção agrícola por ser lesiva ao meio ambiente e não proporcionar uma alimentação saudável ao ser humano, o que eu concordo. Mas este sistema tem garantido, ainda que mal (não pela tecnologia, mas pelo sistema de exploração existente no mundo) a alimentação de seis e meio bilhões de pessoas, sendo que nos países desenvolvidos (onde se usa mais agrotóxicos e adubos químicos) isto é feito, praticamente, sem expandir a fronteira agrícola. Infelizmente ainda não existe nenhum sistema orgânico ou ecológico capaz de alimentar toda a população da terra. Não podemos falar em um novo paradigma se não temos novas alternativas. Não podemos falar em novas alternativas sem investirmos em novas tecnologias. No sistema capitalista só existe investimento se for para fins altamente lucrativos. Então precisamos de um sistema agropecuário orgânico, ecológico, com elevada produtividade, tanto no trabalho quanto em unidade de área, e ainda por cima competitiva. Quem desenvolver ficará rico! Enquanto não se consegue um sistema mais racional de agricultura o uso de transgenia pode ser uma alternativa válida.
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