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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUANDO UMA JOVEM CRIA ASAS

A DONZELA SEGUE PRESA EU SEU CASTELO
SOBE MAIS UM DEGRAU EM SUA VIDA
É O TEMPO! É O TEMPO! CRUEL BRISA AZUL
QUE INVADE QUAL POSSEIRO SUA JANELA.

A GAROTA MEDITA DESANIMADA DA VIDA
QUANDO UM PÁSSARO A LIVRA DO TOPOR
POUSANDO EM SEUS JOELHOS TRINA FORTE
BELAS CONÇÕES DE AMOR E DE ESPERANÇA.

UMA LUZ FORTE A ILUMINA RESPLANDESCENTE
A MENINA CRIA ASAS! AGORA PODE VOAR!
AGORA PODE FUGIR DE SEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS,
A MOÇA CRIOU ASAS E PODE VOAR PARA ONDE QUIZER!

MAS PARA ONDE IR? O MUNDO É TÃO GRANDE!
TÃO GRANDE É O CEU! TÃO AMPLO É O MAR!
PARA ONDE IR, PÁSSARO AMIGO? RESPONDA POR FAVOR!
VIA-SE TRISTEZA E DECEPÇÃO NOS OLHOS DA JOVEM.

DA JANELA, A CRIANÇA PODE VISLUMBRAR O MUNDO
SUA TORRE TÃO PEQUENA NÃO ERA SÓ UMA PRISÃO
ERA SEU ABRIGO, O SEU REFUGIO DAS MAZELAS DO MUNDO!
DE UM LADO DA JANELA: É A TORRE. DO OUTRO, O MUNDO!

MUNDO! TÃO VASTO MUNDO! POR ONDE VOARÁ A DONZELA?
EM SITIOS ONDE VIVE A PAZ O AMOR E A FELICIDADE?
OU OS HORRORES DAS GUERRAS E DAS INJUSTIÇAS?
OU PARA UMA TERRA ONDE DE TUDO HÁ?

DE QUE SÃO FEITAS SUAS ASAS? QUIS SABER UM PÁSSARO.
SE SÃO ASAS DE MORCEGO, VIVERÁS NAS TREVAS,
SE SÃO ASAS DE BORBOLETAS, VIVERÁS COMO AS FADAS
LINDAS, DELICADAS, PORÉM EFÊMERAS SE TOCADAS

SE SÃO ASAS DE AVES, VOARÁS BEM LONGE, MUITO ALTO!
E ACIMA DAS NÚVENS VERÁS A PEQUENEZ DO MUNDO.
SENTIRÁS CANSADA E DORMIRÁS E TERÁS SONHOS:
FINALMENTE A PAZ E O AMOR VENCER SOBRE A TERRA!

A DONZELA VOLTA AO SEU REFUGIO. MAS POR QUÊ?
ELA SENTE MEDO! O QUE LHE ESPERA NESTE MUNDO?
A MENINA SE RECOLHE EM SEU CANTO NA TORRE.
E SONHA SONHOS DE AVENTURA: É MAIS SEGURO!....

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A MINHA ALMA FUGIU

Na parte esquerda do meu cérebro

Busco a equação final do universo:


O tempo, o espaço, a massa...


Nada faz sentido! Nada faz sentido!


A matéria não existe! Deus não a criou...


Então eu não existo! Nada existe!


Se Deus não criou o mundo


Deus também não é nada!...


Nada faz sentido! Nada faz sentido!


Quero chorar! Quero gritar!


Descobri que esqueci como se chora,


Esqueci como se ama. Como é a saudade...


Minha alma fugiu! Por acaso você a viu?


Minha alma famélica de amor se encolheu


Para tomar a forma de uma mosca


E saiu esvoaçando, meu coração adentro.


Meu coração é muito grande


Tem muita gente lá dentro:


Ninguém prestou atenção na minha alma.


Ninguém viu a minha alma.


Eu tenho tanta gente dentro do meu coração


E ninguém viu a minha alma. Procuro um amigo de verdade.


Para me ajudar a procurar minha alma.


Mesmo do tamanho de uma mosca


Eu preciso dela por que eu preciso chorar


Pois descobri que nem a matéria

Nem mesmo Deus... Existem!

domingo, 25 de outubro de 2009

A PRIMAVERA É A ESTAÇÃO MAIS TRISTE
PARA QUEM VIVE SÓ.
CADA PÁSSARO QUE VOLTA
É UMA NOVA DESILUSÃO.
CADA FLOR QUE DESABROCHA
É UMA CRUEL PUNHALADA.
O CÉU AZUL É UM SARCASMO
À TEMPESTADE DE MEUS OLHOS

domingo, 23 de agosto de 2009

REMORSO

...



Era uma vez uma menina,
Mais criança que adolescente.
Ofereceu-me flores, mas eu não comprei...
Sua voz cândida como um gorjeio,
Suplicou-me qual canto de um cisne:
- Compre-me flores senhor!?
E eu não comprei...
Seus cabelos eram de ouro,
Olhos celestiais.
Personagem de um romance,
Ou conto de fadas?
Mas eu não comprei...
Seu vestido pobre, porém limpo,
Cobria toda a extensão
De seus onze anos.
Ninguém comprou suas flores!...
Triste, deitou-se na calçada,
E pediu às estrelas que lhe avisassem
Se chegasse o bicho-papão.









O vento varria a calçada,
As nuvens cobriram as estrelas.
A chuva chorava cheia de paixão
Da mazelas do mundo.
O frio veio trazer melancolia.
A menina tremia de febre e de medo.
O bicho papão levou-a para não trazer jamais!
E eu não comprei suas flores!...







quinta-feira, 11 de junho de 2009

MEUS OLHOS VIRAM OS TEUS.




Meus olhos viram os teus
Enquanto nos beijávamos.
Estava caldos,
Mas falavam muito.

Meus olhos viram os teus,
Semi-cerrados e úmidos.
Perdidos nos bosques
Floridos do amor.

Meus olhos viram os teus,
Que não viam nada.
Mas que me continham
Em teus lindos sonhos!

Meus olhos viram os teus,
Que eram como os meus.
Como me senti feliz
Neste efêmero momento!

Meus olhos viram os teus
Enquanto nos beijávamos.
Não passavam de olhos
De quem saboreava um beijo.


domingo, 7 de junho de 2009

CONSUMO DE ARTE



Decididamente não leio mais que meia dúzia de romances por ano. Nem ouço música todos os dias. Certos filmes, que deveriam ser do meu interesse, eu não assisto. Só com muita insistência pego uma poesia para ler. Poucas vezes na vida estive em uma galeria de arte. Meu coração é pequeno. Não cabe muita coisa. De que adianta as palavras? De que adianta a técnica? De que adianta as letras? De que adiantam os acordes? A arte é sentimento puro. A arte é algo abstrato, e como tudo que é abstrato precisa de algo material para se manifestar. A arte tem algo de espiritismo. Quem não é um artista como eu (pelo menos profissional), quando bombardeado pela mídia de todas as manifestações artísticas possíveis e imagináveis, perde-se o canal que nos liga à pureza do belo.


Então porque os artistas vivenciam sua arte vinte e quatro horas por dia? Acontece que aquele que faz arte, vomita sua obra para as outras pessoas, e assim expele o veneno que destila. Veneno? O problema que o belo em grandes doses pode ser tóxico. Nós, ao contrário, engolimos o produto da arte. E, se for em grades doses, poderíamos morrer, não fosse a liberação de anticorpos (ou antídotos) que nos deixa insensíveis à essência da arte.

 
Se eu fosse me deixar enlevar por toda arte que tenho ao meu dispor, meu coração explodiria. E hoje eu estaria morto e enterrado.
Consumir muita arte pode até levar à erudição, mas será que não deixa a alma insensível ao belo?