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domingo, 7 de junho de 2009

CONSUMO DE ARTE



Decididamente não leio mais que meia dúzia de romances por ano. Nem ouço música todos os dias. Certos filmes, que deveriam ser do meu interesse, eu não assisto. Só com muita insistência pego uma poesia para ler. Poucas vezes na vida estive em uma galeria de arte. Meu coração é pequeno. Não cabe muita coisa. De que adianta as palavras? De que adianta a técnica? De que adianta as letras? De que adiantam os acordes? A arte é sentimento puro. A arte é algo abstrato, e como tudo que é abstrato precisa de algo material para se manifestar. A arte tem algo de espiritismo. Quem não é um artista como eu (pelo menos profissional), quando bombardeado pela mídia de todas as manifestações artísticas possíveis e imagináveis, perde-se o canal que nos liga à pureza do belo.


Então porque os artistas vivenciam sua arte vinte e quatro horas por dia? Acontece que aquele que faz arte, vomita sua obra para as outras pessoas, e assim expele o veneno que destila. Veneno? O problema que o belo em grandes doses pode ser tóxico. Nós, ao contrário, engolimos o produto da arte. E, se for em grades doses, poderíamos morrer, não fosse a liberação de anticorpos (ou antídotos) que nos deixa insensíveis à essência da arte.

 
Se eu fosse me deixar enlevar por toda arte que tenho ao meu dispor, meu coração explodiria. E hoje eu estaria morto e enterrado.
Consumir muita arte pode até levar à erudição, mas será que não deixa a alma insensível ao belo?