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domingo, 23 de janeiro de 2011

AS CRIANÇAS NAS ESCADARIAS

Elas estão sentadinhas na escadaria,

Com as roupinhas toda suja, rasgada e suada.


Umas comem, outras apenas sorriem.


Uma menina está triste, por quê?


Os meninos garimpam coisas preciosas.

Latinhas para vender? Um pedaço de cobre?


Uma fruta parcialmente estragada.


Uma guimba de cigarro nem toda fumada.



Não maltrate nossas crianças.


Deixe-as viver sua vida feliz!...


Não maltrate nossas crianças.


Dê a elas comida, amor e carinho.
Ah!... Um prato de comida!...


Arroz, feijão, inhame e aipim.


A fome é dor pungente e lancinante:


Arde até nas profundezas da alma!
As crianças dormem na calçada...


Sobre o que será que elas sonham?


Sonham como qualquer criança:


Um sonho feliz de um futuro próspero?
Ou sonha um pesadelo, cheio de guerras.


Sonha com fome e privações?


Sonha com um mundo insano?


Repleto de doenças e morte prematura?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A MENINA E A BONECA

A boneca é todo seu patrimônio! Sua filha amada: amor maternal!... Um amor que ela nunca chegou a conhecer. A menina vaga pelas veredas, sem pai, sem mãe, sem escola. Muitas vezes tendo a fome como companheira. Mas ela não é tão solitária. Tampouco miserável. Ela tem uma boneca, sua filha amada! Sobrevive graças à caridade de uns e o abuso de outros, que aproveitam sua situação por um prato de comida. Seu pai morreu na guerra civil. Sua mãe, que vendia seu próprio corpo para sustentar sua filha, hoje jaz enferma de uma doença, que antes nem existia, hoje tão comum! segue a menina pelas veredas da África doente, faminta, clamando ao mundo apenas o direito de ser gente. Lá vai a menina com seu tesouro, todo seu patrimônio. Sua filha amada, como ela nunca foi: Sua esfarrapada boneca.