segunda-feira, 17 de abril de 2006

O REI ESTÁ NÚ - 1

Sempre quiz escrever uma coluna com este título "O rei está nú", para falar sobre coisas que está na cara de todo mundo e "ninguém vê". O velho Ponte Preta foi bastante modesto quando criou o FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País). Não é um festival, posto que é contínuo. Não assola só o país, já que é um fenômeno mundial.
Se o Presidente sabia de tudo eu não sei. Mas que ele suspeitava de tudo, não tenho dúvidas. Mesmo porque eu também tinha minhas suspeitas, lógico. E você também suspeitava, é claro. Se não confiávamos, então porque os elegemos para deputado? Falo dos que foram cassados, os que não foram e aqueles que apesar de tudo votaram pela cassação.
Infelizmente são poucos os deputados realmente honrados. Se rabudo não pode falar do rabo dos outros, então ninguém deveria cassar niguém. O que está havendo, então? A câmara é um grande conchavo (o famoso conchavão, quem tá fora não entra, quem está dentro não quer sair) , formado por conchavos menores. Embora alguns partidos sigam a tendência deste ou daquele conchavo, partido e conchavo não é a mesma coisa. Os deputados não têm nenhum compromisso com os partidos, e sim com os conchavos. Acontece que a maioria dos políticos ligado ao PT, estavam ligados a um conchavo que sempre comeu pelas beiradas e vivia de migalhas. Com a vitória do Lula, eles quizeram fazer parte dos seleto grupo de conchavos que que ficava com a parte do leão (deputados que normalmente frqüentam a sigla do PFL, PSDB, PMDB e etc.). Foi aí que o negócio pegou! Botaram para fora, não os inimigos do povo e sim os tumultuadores do conchavão.
Se nós sabíamos que estavamos botado um monte de deputados desonestos na Câmara, poque estamos pedindo a cassação deles agora? Somos todos um bando de hipócritas! Da próxima vez vamos que escolher melhor, e convencer nossos amigos a escolher o melhor? ou no fundo queremos um país assim mesmo, para sonegarmos impostos, subornarmos guada de trânsito e consumirmos artigos pirata?

segunda-feira, 10 de abril de 2006

SELENA VIRGEM

E se de repente surgisse
a selena virgem desnuda
implorando pelo meu amor
me oferencendo o sideral...
Mesmo assim seria fiel a ti!

A selena virgem sempre passeia
pelas noites claras a espçiar.
Quanto amor ela inspirou.
Ela sabe, ela ouve, ela vê
mas nunca diz nada!

Ela conhece bem o amor,
participa sempre do amor.
Muitas pessoas duvidam,
mas permanece virgem
no fundo do seu coração.

Seu beijo asfixia, todos sabem.
Debaixo de seu pano diáfano,
quem sobre ela já esteve
afirmaram desolados, pasmem:
Seu corpo é árido, é frio!

A amo, mas repudio meu amor.
A Selena Virgem desnuda tentadora,
que levaram tantos a buscar seus seios,
passeia todas as noites, sem pudor,
mostrando ass eróticas curvas de seu corpo!

Os cáes ladram alucinados,
os gatos miam inspirados no amor.
Os casais beijam-se, o orvalho chora.
É a Selena Virgem! Só pode ser!
è a sua alma que invade o firmamento!

Ai! as crateras! divinas crateras!
Que desejo tenho de conhece-las.
De ficar a sós com a Selena Virgem,
para mais estrelas brilhar dirante à noite!
Mas jurei minha fidelidade a ti...

terça-feira, 28 de março de 2006

ESQUECIMENTO

.


Ah!
Se eu me lembrasse como se chora,
Para aliviar a incompreensão
Daqueles que me foram tão gratos,
Mas não souberam compreender
Que um homem nem sempre é forte
Para olvidar seus prantos!

PRIMEIRA FLORADA

Um arbusto chega à puberdade.
Uma brisa suave acaricia seus ramos frágeis.
Não mais importa:
Um fogo enfeitiçado já corre na seiva,
clamando amor como uma enfemidade!
Despe-se das folhas, mostrando-se nua:
galhos tenros, ramos verdes, cheirando à virgindade.
E... Abrindo-se ao doce pecado de alimentar uma criança
os primeiros botões explodem, polinizando-se de prazer!

terça-feira, 21 de março de 2006

AMAR É ...


O amor é como casca de banana:
Quanto mais se pisa, mais se escorrega.

O amor é como palito de fósforo:
Quando se esfrega, pega fogo.

O amor é como a coruja:
Dorme de dia, pia á noite.

O Amor é como uma gaveta:
Mesmo sabendo é bom ver o que tem dentro.

O amor é uma chaleira d’água:
Põe-se fogo em baixo, que chia em cima.

O amor é um quarto fechado:
Só é bom quando se tem a chave.

O amor é uma árvore alta:
Para se colhe frutos tem que... subir
.

A ROSA E O CACTO


A Rosa não vai à praia...
Pois a areia fere sua delicada face.
A Rosa Não conhece o Mar...
O sal envenena suas folhas verdes.
A Rosa não conhece o Cacto
Que floresce nas areias salobras da restinga

Ah! Se a Rosa um dia fosse à praia
E olhasse de perto o Cacto em flor!
Morreria de inveja dos espinhos...
Murcharia suas flores, indignada.
Ferida e insultada ante ao belo.
Nunca mais voltaria à praia...

segunda-feira, 20 de março de 2006

NA TRILHA DE UM MUNDO SEM CRIANÇAS



São seis bilhões e meio de gente nesta terra de Cristo, Ogum, Maomé, Moisés, Buda, Confúcio e outros. Parece que a curva da explosão demográfica está cada vez mais próxima de seu ponto de inflexão, e logo a população da terra se estabilizará (não sou neomalthusiano). Porém a perspectiva de vida da população mundial cresce de forma quase exponencial. Não demora muito o mundo será formado, basicamente, por velhos, com pouquíssimas crianças. Logo, logo, em um mundo onde o sexo será livre, será um crime mortal fazer e gerar um bebê! Que será do mundo sem o sorriso de um neném? Sem o coquetismo de uma menina? Sem as macaquices dos garotos? Como conceber um paraíso sem anjos? Se a humanidade deixasse o clima de contínua emulação ente seus interantes e passasse a agir em forma de solidariedade e cooperação, em harmonia com a natureza, caberia muito mais gente neste planeta Terra. Daria para produzir mais algumas “pestinhas”, até que colonizássemos outros planetas. Porém o capitalismo não combina, por definição, com solidariedade e cooperação. Brevemente um dos dois vai acabar, ou o capitalismo ou a criança, e conseqüentemente a humanidade, levando consigo os dois. Somente o socialismo pode resolver esta intrincada equação. Que vivam as crianças! Literalmente.

quinta-feira, 16 de março de 2006

A CHEGADA DO NENÉM DA SÍLVIA

Chegou à pé, naturalmente.
Por isto demorou tanto.

Alimentava-se de brisa,
Bebia os raios de sol,
Caminhando passo a passo,
Sem muita pressa:
Apreciava o vôo do beija-flor,
Banhava-se na cahoeira,
Cheirava uma flor-do-mato.
De onde ela veio, ninguém sabe.
Do Oriente, talvez. Quem sabe, não?
Esperávamos sua chegada,
Com enorme ansiedade.
Já no auge da impaciência,
Eis que surge Marcelle!

quarta-feira, 15 de março de 2006

O CÃO



Deixa-me em paz, oh cão!
Não vês que tu me impedes
De escrever belos versos de amor,
Tão puros como o primeiro amor!

Venha compartilhar comigo toda a solidão,
Como o melhor amigo (embora desconhecido).
Tu estás só, oh cão!
Te compreendo, e por isso te acaricio.

Deixe-me em paz, oh cão!
Que culpa tenho se a cadela te deixou.
Passa daqui, oh cão!

Que estou sofrendo este mesmo mal de amor!

terça-feira, 7 de março de 2006

PEIXE DE MIRACEMA

(Uma epompéia rural)

Comprei uma fazenda na Estrada do Cafundó perto de uma vila que o povo chama de “Engenho”, mas o padre me disse que tinha mudado de nome para “Comunidade”. Era uma fazenda de leite, mas latrocínio não dá dinheiro. Vendi a vacada. A estrada da fazenda é muito lamurienta quando chove e pueril na seca. Pedi ao putrefeito para pichar a estrada. Não adiantava só cascaralhar, como sempre faz.
Construí a casa com uma afundação boa. Com doze calúnias. Em todas as janelas botamos safadas, porque minha mulher gosta de safadas. No tétano da sala penduramos um ilustre de cristal de moranga, o piso é de tábua escorrida – madeira de leite. A tipografia do terreno permitiu que fosse construída uma sarna embaixo, ao lado da garagem. A Casa tem quatro suíta com “close up”.
Nas minhas terras tem um morro, que dá para ver uma devassidão bem grande. Pretendo construir um almirante.
Queria criar peixe. Procurei um piscicólogo amigo meu. Tinha idéia de criar pracu, porque pracu é muito gostoso. Então ele me disse que pracu é peixe de miracema e que teria que comprar os avelinos todos os anos. Comprei cem mil avelinos de escarpa. Avelino você sabe: é a lava do peixe. Os peixes são racionados todos os dias pela manhã e de tarde. Os estanques são bem grande, escafunchada com restocravadeira de largata.

ZECA GOMES

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

REMORSO

Era uma menina,
mais criança que adolescente.
Ofereceu-me balas, eu não comprei ...
Sua voz cândida, como gorjeio,
Suplicou-me qual canto de um cisne:
- Compra-me balas, senhor!?
E eu não comprei ...
Seus cabelos eram de ouro,
Olhos celestiais.
Personagem de um romance
ou contos de fada?
Mas eu não comprei! ...
Seu vestido pobre, porem limpo,
Cobria toda a extensão
De seus onze anos.
Ninguém comprou balas! ...
Triste deitou-se na calçada,
E pediu às estrelas que lhe avisasse,
Se chegasse o bicho-papão.

O vento varria a calçada,
As nuvens cobriram as estrelas.
A chuva chorava cheia de paixão
Das mazelas do mundo.
O frio veio trazer melancolia.
A menina tremia de febre e de medo.
O bicho-papão levou-a, para não trazer jamais!
E eu não comprei suas balas! ...

EU ERA UM ...

Eu era uma criança,
Eu era um menino.
Sonhei ser um rei um dia,
Sem saber que o Rei tinha medo do povo.
Sonhei matar um dragão,
Sem saber que o dragão podia me comer.
Sonhei um dia ser poeta,
Sem saber que teria que sofrer.

Eu era um menino,
Eu era um jovem.
Sonhei conquistar terras,
Sem saber que o mundo é grande.
Sonhei mudar o mundo,
Sem saber que o mundo é indomável.
Sonhei ter um grande amor,
Sem saber que o amor é algo tão pequenino.

Eu era um jovem,
Eu era um homem.
Sonhei ficar rico, milionário,
Sem saber que a riqueza afugenta a paz.
Sonhei ser um sultão com meu harém,
Sem saber que as mulheres tinham vontade própria.
Sonhei ser um grande sábio,
Sem saber que para isto teria que aprender muito.

Eu era um homem,
Eu era um velho.
Sonhei com a fonte da juventude,
Sem saber que havia passado por ela sem beber.
Sonhei em viver eternamente,
Sem saber que a eternidade é tediante.
Sonhei começar tudo de novo,
Sem perceber que sonharia os mesmos erros.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Versos a Quatro Mãos.

Meu filho chegou com uns dois versos prontos e me pediu parceria para fazer um "soneto em decassílabo", para mostrar para o professor de Português. Nos sentamos junto ao computador e saiu isto:


MEU AMOR POR TI

Eduardo (12) e Carlos (pai)

Quando te vi pela primeira vez
Uma ardente paixão me enlouqueceu!
Senti você dentro de mim, e me doeu.
Eu só penso em você a mais de um mês!

Te adoro, e não sei como falar.
Quando te vejo minhas pernas tremem.
Quero dizer-te, meu coração teme
Ouvir tu declarares não me amar!

Teus olhos têm o brilho de uma estrela
Teus lábios têm a doçura do mel.
Essas mãos tão belas, quero tê-las!

Meu Deus! Eu perco de Vez o juízo!
Com seu amor eu estarei no céu.
Contigo me sentirei no paraíso!
Meio infantil mas com boa técnica!

KARL MARX AINDA NÃO MORREU!

Somos mais de seis bilhões de viajantes no planeta Terra. Há cinco bilhões de anos a Terra era uma jovem bola de fogo, brincava de girar em torno da mãe, Sol, como uma criança travessa. Depois foi esfriando, esfriando até se tornar cascudo e rochoso. Depois de chuvas torrenciais, ocasionado, principalmente pelas baixas temperaturas, formou-se os mares e o nosso planeta trocou ne novo de roupa, agora feito de água. Como surgiu os primeiros seres vivos, existem varias teorias, mas é certo que o mundo, que até então era inerte, transformou-se em "Gaia - o Planeta Vivo". Os seres vivos dominaram a terra e Gaia foi ficando cada vez mais viva. Mas havia uma quatão: Gaia vivia, mas não sabia que existia! Foi aí que apareceu o Homem e a Terra passou a ter a consciência de que existia.
Todos os irmãos da Terra, desde Mercúrio até Plutão, sugiram em algum momento e seguiram seus proprios destinos. A nossa Terra, a cada novo desafio, causados por problemas em seu próprio seio como resfriamento, mudanças na atmosfera etc. tentava se segurar até que, em um dado momento, mandava tudo às favas e dava um salto de qualidade (solidificando-se, enchendo-se de água, o aparecimento de seres vivos e do homem) e mudava tudo.
Para evitar polêmica não vou falar sobre a humanidade, muito menos sobre o capitalismo. Mas observem que as teorias modernas sobre o desenvolvimento de nosso planeta mostram uma visão Materialista e Dialética sobre a natureza. Depois de quase um século e meio o livro "Dialética da Natureza" de K. Marx e F. Engels, ainda dá um bom caldo, não é?