"No atletismo és um braço,
No remo és imortal,
No futebol és um traço
de união Brasil-Portugal"
Estavamos reunidos na "Toca do Babau" para assistirmos à Brasil e França no telão. No final do primeiro tempo faltou energia. Ligamos para a CERJ: só daí duas horas! Lotamos a Kombi e seguimos em busca de um local para teminarmos nossa importante tarefa de torcedor. Minha esposa tentando animar o pessoal, cabisbaixo pelo blecaute, sugeriu que cantasassemos alguma música sobre a selção e entoou: "Vamos todos cantar de coração, a cruz-de-malta é meu pendão..." Quando achamos outro local com "telão" foi que percebemos quanto fez falta nossa ausência para a seleção: vinte e cinco minutos e França um a zero.
Como eu já havia dito o futebol movimenta dezenas de bilhões de dólares no mundo e a vitória da Seleção, daria um prejuízo homérico! É interessante a participação do Brasil na Copa, mas só Brasil campeão desestimula o torcedor europeu a torcer pelo futebol. Mas o motivo mais forte para a saída precoce deve-se, talvez a outro motivo. Não é que os nossos jogadores não jogaram com patriotismo. O coração dos nossos jogadores tem asas, que os fazem mais leves na disputa de bola, nos dribles. Mas a canela é de ouro. E o ouro é um dos metais mais densos na natureza. Pesa muito! Se a CBF não fizer um polpudo seguro para guinchar estas canelas, não há "coração alado" que resita!
Agora só nos resta um consolo torcer por Felipão. Como no Hino do Vasco da Gama o nosso Scolari, "no futebol, é um traço de união Portugal-Brasil."
Poesias, crônicas, piadas e considerações filosóficas são de responsabilidade de Carlos David. Se esta página for fraca, chata ou monótona, o mérito é todo dele!
segunda-feira, 3 de julho de 2006
quinta-feira, 8 de junho de 2006
O REI ESTÁ NU 2
Falta mais de um mês para o 14 de julho. Não faz mal. Mas o que pouca gente percebeu que o ideal da LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, nasceu e morreu neste dia. Natimorto. Sobreviveu apenas a demagogia. O ideal burguês da Igualdade, Liberdade e Fraternidade, em termos absolutos é impossível existir. Em termos relativos...
A liberdade é algo que cada um define de uma maneira, porém seus limites estão bem claro: é como um edifício em construção. Niguém pode invadir o terrreno do vizinho. Por outro lado a altura do edifício é limitada pelos seus alicerceres. Igualmente a liberdade de um termina onde começa a do outro. Ninguém pode medicar sem entender nada de medicina.
Está enganado quem pensa que Marx bolou uma sociedade igualitária. O comunismo idealizado por ele deverá exigir "de cada um segundo sua capacidade" e fornecer "a cada um segundo sua necessidade". Quem pode trabalhar mais, trabalha mais. Quem não pode trabalha menos. Uma pessoas corpulenta tem direito a receber mais alimento que uma pessoa franzina. "A igualdade total entre os homens é injusta" (V. I. Lenin, 1917)
Fratenidade em termos ideais, é negar-se a si próprio. Até na bíblia manda "amar o próximo como a ti mesmo". Ou seja primeiro temos que nos amar para depois amar o próximo.
Você já viu alguém meio livre? Já viu uma coisa meio igual a outra? Ou alguém amar o próximo só pela metade? Mas é lógico! Pois é assim que nós vivemos! Ninguém pode ser totalmente livre nem totalmente sem liberdade. Ninguém é igual a outra, mas também não é totalmente diferente. Não se ama o próximo como Deus quer, mas costumamos ter piedade do pior de nossos inimigos. Ou será que o dom de repirar é um sinal de liberdade? Pelo fato de termos olhos e nariz, somos iguais a qualquer cachorro? Ou se não damos uma porrada em alguém na fila do banco é um sinal de amor ao próximo?
A questão agora não é mais de "qualidade" e sim de "quantidade". Em termos relativos, o lema só deixa de ser demagógico se pudermos defini-lo de forma quantitativa. Em números! Até inventarem uma "fita métrica" especial para medir tais parâmetros, LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE serão apenas PALAVRAS LEVADAS AO VENTO.
A liberdade é algo que cada um define de uma maneira, porém seus limites estão bem claro: é como um edifício em construção. Niguém pode invadir o terrreno do vizinho. Por outro lado a altura do edifício é limitada pelos seus alicerceres. Igualmente a liberdade de um termina onde começa a do outro. Ninguém pode medicar sem entender nada de medicina.
Está enganado quem pensa que Marx bolou uma sociedade igualitária. O comunismo idealizado por ele deverá exigir "de cada um segundo sua capacidade" e fornecer "a cada um segundo sua necessidade". Quem pode trabalhar mais, trabalha mais. Quem não pode trabalha menos. Uma pessoas corpulenta tem direito a receber mais alimento que uma pessoa franzina. "A igualdade total entre os homens é injusta" (V. I. Lenin, 1917)
Fratenidade em termos ideais, é negar-se a si próprio. Até na bíblia manda "amar o próximo como a ti mesmo". Ou seja primeiro temos que nos amar para depois amar o próximo.
Você já viu alguém meio livre? Já viu uma coisa meio igual a outra? Ou alguém amar o próximo só pela metade? Mas é lógico! Pois é assim que nós vivemos! Ninguém pode ser totalmente livre nem totalmente sem liberdade. Ninguém é igual a outra, mas também não é totalmente diferente. Não se ama o próximo como Deus quer, mas costumamos ter piedade do pior de nossos inimigos. Ou será que o dom de repirar é um sinal de liberdade? Pelo fato de termos olhos e nariz, somos iguais a qualquer cachorro? Ou se não damos uma porrada em alguém na fila do banco é um sinal de amor ao próximo?
A questão agora não é mais de "qualidade" e sim de "quantidade". Em termos relativos, o lema só deixa de ser demagógico se pudermos defini-lo de forma quantitativa. Em números! Até inventarem uma "fita métrica" especial para medir tais parâmetros, LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE serão apenas PALAVRAS LEVADAS AO VENTO.
domingo, 21 de maio de 2006
O GRITO
(Minha homenagem atrasada pelo dia das mães)
Sob meus pés, o mundo se tornou pequeno.
Os riscos sinuosos dos rios cortam manchas:
Cidades cinzentas entre mosaicos de plantações.
Mais um passo e o abismo me engole para as trevas.
Azul, tudo azul. Não mais que azul!...
O infinito céu! O imenso azul do mar!
À deriva. Sou levado ao gosto do vento, das ondas...
Estou sozinho: roubaram o mundo.
Meu coração, assustado, pulou e fugiu.
E me deixou no meio do nada. Sem nada...
Só pude abrir a boca e gritar com força:
- MAMÃE!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sob meus pés, o mundo se tornou pequeno.
Os riscos sinuosos dos rios cortam manchas:
Cidades cinzentas entre mosaicos de plantações.
Mais um passo e o abismo me engole para as trevas.
Azul, tudo azul. Não mais que azul!...
O infinito céu! O imenso azul do mar!
À deriva. Sou levado ao gosto do vento, das ondas...
Estou sozinho: roubaram o mundo.
Meu coração, assustado, pulou e fugiu.
E me deixou no meio do nada. Sem nada...
Só pude abrir a boca e gritar com força:
- MAMÃE!!!!!!!!!!!!!!!!!!
sexta-feira, 5 de maio de 2006
O AMOR E A SAUDADE
O Amor trabalhava tanto
Nos corações, sem cessar.
Será que nunca pensou
Que um dia iria casar?
Um dia ele viu uma menina
No por do sol a chorar.
Contemplava o horizonte,
Esperando um bem voltar...
- Porque chora, coisa linda?
Não posso ver ninguém triste.
Não acredite nesta coisa,
Que a tristeza não existe!
- Mas como não existe?
Ela é minha companheira!
Quem és tu que me dizes
Ser feliz a vida inteira?
- Meu lar é uma flor.
Dizem que nasci de um beijo.
Pode me chamar de Amor.
- Conhece-la também desejo.
- De uma lágrima surgi,
vivo nos olhos tristes.
Ao sofrimento sempre servi.
Sou a saudade, não vistes.
- Pois então vamos passear,
vamos para lugares bonitos!
Que tal ao infinito,
Pelas via do luar?
Pela estrada do destino,
A Saudade volta ao lar.
Chorava como um menino
Com seu coração a amar!
O Amor, em casa, no leito,
Conheceu a Tristeza, falada:
Sentia a Saudade no peito,
Sua primeira namorada!
Um dia qualquer da semana,
Na terça ou na quarta-feira,
O Amor convidou a Saudade
Para ser sua companheira.
A madrinha foi a Esperança
E o padrinho o Sorriso.
Os convidados: anjos e crianças
Nos corações, sem cessar.
Será que nunca pensou
Que um dia iria casar?
Um dia ele viu uma menina
No por do sol a chorar.
Contemplava o horizonte,
Esperando um bem voltar...
- Porque chora, coisa linda?
Não posso ver ninguém triste.
Não acredite nesta coisa,
Que a tristeza não existe!
- Mas como não existe?
Ela é minha companheira!
Quem és tu que me dizes
Ser feliz a vida inteira?
- Meu lar é uma flor.
Dizem que nasci de um beijo.
Pode me chamar de Amor.
- Conhece-la também desejo.
- De uma lágrima surgi,
vivo nos olhos tristes.
Ao sofrimento sempre servi.
Sou a saudade, não vistes.
- Pois então vamos passear,
vamos para lugares bonitos!
Que tal ao infinito,
Pelas via do luar?
Pela estrada do destino,
A Saudade volta ao lar.
Chorava como um menino
Com seu coração a amar!
O Amor, em casa, no leito,
Conheceu a Tristeza, falada:
Sentia a Saudade no peito,
Sua primeira namorada!
Um dia qualquer da semana,
Na terça ou na quarta-feira,
O Amor convidou a Saudade
Para ser sua companheira.
A madrinha foi a Esperança
E o padrinho o Sorriso.
Os convidados: anjos e crianças
Bailaram no Paraízo!...
Sempre quis contar para os outros como e porque eu escrevi estes ou aqueles versos. Neste caso eu um dia li uma poesia de Olegário Mariano, com o título de "Duas Sombras", onde o Amor e a Saudade eram dois fantasmas ou dois espectros, que foram "condenados" a vagarem juntos assombrando as pessoas, pelo menos foi este o sentimento que o poeta me passou. Resolvi aproveitar a idéia de que o amor e saudade são sentimentos que sempre nos acometem simultaneamente, para fazer algo mais infantil e otimista. Para mim o enredo ou a forma de elaboração da poesia não importa muito. O que é importante é sentimento transmitido e a originalidade como é colocado o tema. Na poesia, não se transmite idéias, e sim sentimentos, portanto, existe uma falha de transmissão quando só o poéta vivencia os versos. Não tem este negócio de você não "entendeu", porque é muito erudito e somente pessoas com fino gosto pode "entender". Poesia não se entende, poesia se sente!
terça-feira, 25 de abril de 2006
segunda-feira, 17 de abril de 2006
O REI ESTÁ NÚ - 1
Sempre quiz escrever uma coluna com este título "O rei está nú", para falar sobre coisas que está na cara de todo mundo e "ninguém vê". O velho Ponte Preta foi bastante modesto quando criou o FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País). Não é um festival, posto que é contínuo. Não assola só o país, já que é um fenômeno mundial.
Se o Presidente sabia de tudo eu não sei. Mas que ele suspeitava de tudo, não tenho dúvidas. Mesmo porque eu também tinha minhas suspeitas, lógico. E você também suspeitava, é claro. Se não confiávamos, então porque os elegemos para deputado? Falo dos que foram cassados, os que não foram e aqueles que apesar de tudo votaram pela cassação.
Infelizmente são poucos os deputados realmente honrados. Se rabudo não pode falar do rabo dos outros, então ninguém deveria cassar niguém. O que está havendo, então? A câmara é um grande conchavo (o famoso conchavão, quem tá fora não entra, quem está dentro não quer sair) , formado por conchavos menores. Embora alguns partidos sigam a tendência deste ou daquele conchavo, partido e conchavo não é a mesma coisa. Os deputados não têm nenhum compromisso com os partidos, e sim com os conchavos. Acontece que a maioria dos políticos ligado ao PT, estavam ligados a um conchavo que sempre comeu pelas beiradas e vivia de migalhas. Com a vitória do Lula, eles quizeram fazer parte dos seleto grupo de conchavos que que ficava com a parte do leão (deputados que normalmente frqüentam a sigla do PFL, PSDB, PMDB e etc.). Foi aí que o negócio pegou! Botaram para fora, não os inimigos do povo e sim os tumultuadores do conchavão.
Se nós sabíamos que estavamos botado um monte de deputados desonestos na Câmara, poque estamos pedindo a cassação deles agora? Somos todos um bando de hipócritas! Da próxima vez vamos que escolher melhor, e convencer nossos amigos a escolher o melhor? ou no fundo queremos um país assim mesmo, para sonegarmos impostos, subornarmos guada de trânsito e consumirmos artigos pirata?
segunda-feira, 10 de abril de 2006
SELENA VIRGEM
E se de repente surgisse
a selena virgem desnuda
implorando pelo meu amor
me oferencendo o sideral...
Mesmo assim seria fiel a ti!
A selena virgem sempre passeia
pelas noites claras a espçiar.
Quanto amor ela inspirou.
Ela sabe, ela ouve, ela vê
mas nunca diz nada!
Ela conhece bem o amor,
participa sempre do amor.
Muitas pessoas duvidam,
mas permanece virgem
no fundo do seu coração.

Seu beijo asfixia, todos sabem.
Debaixo de seu pano diáfano,
quem sobre ela já esteve
afirmaram desolados, pasmem:
Seu corpo é árido, é frio!
A amo, mas repudio meu amor.
A Selena Virgem desnuda tentadora,
que levaram tantos a buscar seus seios,
passeia todas as noites, sem pudor,
mostrando ass eróticas curvas de seu corpo!
Os cáes ladram alucinados,
os gatos miam inspirados no amor.
Os casais beijam-se, o orvalho chora.
É a Selena Virgem! Só pode ser!
è a sua alma que invade o firmamento!
Ai! as crateras! divinas crateras!
Que desejo tenho de conhece-las.
De ficar a sós com a Selena Virgem,
para mais estrelas brilhar dirante à noite!
Mas jurei minha fidelidade a ti...
a selena virgem desnuda
implorando pelo meu amor
me oferencendo o sideral...
Mesmo assim seria fiel a ti!
A selena virgem sempre passeia
pelas noites claras a espçiar.
Quanto amor ela inspirou.
Ela sabe, ela ouve, ela vê
mas nunca diz nada!
Ela conhece bem o amor,
participa sempre do amor.
Muitas pessoas duvidam,
mas permanece virgem
no fundo do seu coração.

Seu beijo asfixia, todos sabem.
Debaixo de seu pano diáfano,
quem sobre ela já esteve
afirmaram desolados, pasmem:
Seu corpo é árido, é frio!
A amo, mas repudio meu amor.
A Selena Virgem desnuda tentadora,
que levaram tantos a buscar seus seios,
passeia todas as noites, sem pudor,
mostrando ass eróticas curvas de seu corpo!
Os cáes ladram alucinados,
os gatos miam inspirados no amor.
Os casais beijam-se, o orvalho chora.
É a Selena Virgem! Só pode ser!
è a sua alma que invade o firmamento!
Ai! as crateras! divinas crateras!
Que desejo tenho de conhece-las.
De ficar a sós com a Selena Virgem,
para mais estrelas brilhar dirante à noite!
Mas jurei minha fidelidade a ti...
terça-feira, 28 de março de 2006
PRIMEIRA FLORADA
Um arbusto chega à puberdade.Uma brisa suave acaricia seus ramos frágeis.
Não mais importa:
Um fogo enfeitiçado já corre na seiva,
clamando amor como uma enfemidade!
Despe-se das folhas, mostrando-se nua:
galhos tenros, ramos verdes, cheirando à virgindade.
E... Abrindo-se ao doce pecado de alimentar uma criança
os primeiros botões explodem, polinizando-se de prazer!
terça-feira, 21 de março de 2006
AMAR É ...

O amor é como casca de banana:
Quanto mais se pisa, mais se escorrega.
O amor é como palito de fósforo:
Quando se esfrega, pega fogo.
O amor é como a coruja:
Dorme de dia, pia á noite.
O Amor é como uma gaveta:
Mesmo sabendo é bom ver o que tem dentro.
O amor é uma chaleira d’água:
Põe-se fogo em baixo, que chia em cima.
O amor é um quarto fechado:
Só é bom quando se tem a chave.
O amor é uma árvore alta:
Para se colhe frutos tem que... subir.
A ROSA E O CACTO

A Rosa não vai à praia...
Pois a areia fere sua delicada face.
A Rosa Não conhece o Mar...
O sal envenena suas folhas verdes.
A Rosa não conhece o Cacto
Que floresce nas areias salobras da restinga
Ah! Se a Rosa um dia fosse à praia
E olhasse de perto o Cacto em flor!
Morreria de inveja dos espinhos...
Murcharia suas flores, indignada.
Ferida e insultada ante ao belo.
Nunca mais voltaria à praia...
segunda-feira, 20 de março de 2006
NA TRILHA DE UM MUNDO SEM CRIANÇAS

São seis bilhões e meio de gente nesta terra de Cristo, Ogum, Maomé, Moisés, Buda, Confúcio e outros. Parece que a curva da explosão demográfica está cada vez mais próxima de seu ponto de inflexão, e logo a população da terra se estabilizará (não sou neomalthusiano). Porém a perspectiva de vida da população mundial cresce de forma quase exponencial. Não demora muito o mundo será formado, basicamente, por velhos, com pouquíssimas crianças. Logo, logo, em um mundo onde o sexo será livre, será um crime mortal fazer e gerar um bebê! Que será do mundo sem o sorriso de um neném? Sem o coquetismo de uma menina? Sem as macaquices dos garotos? Como conceber um paraíso sem anjos? Se a humanidade deixasse o clima de contínua emulação ente seus interantes e passasse a agir em forma de solidariedade e cooperação, em harmonia com a natureza, caberia muito mais gente neste planeta Terra. Daria para produzir mais algumas “pestinhas”, até que colonizássemos outros planetas. Porém o capitalismo não combina, por definição, com solidariedade e cooperação. Brevemente um dos dois vai acabar, ou o capitalismo ou a criança, e conseqüentemente a humanidade, levando consigo os dois. Somente o socialismo pode resolver esta intrincada equação. Que vivam as crianças! Literalmente.
quinta-feira, 16 de março de 2006
A CHEGADA DO NENÉM DA SÍLVIA
Chegou à pé, naturalmente.
Por isto demorou tanto.
Alimentava-se de brisa,
Bebia os raios de sol,
Caminhando passo a passo,
Sem muita pressa:
Apreciava o vôo do beija-flor,
Banhava-se na cahoeira,
Cheirava uma flor-do-mato.
De onde ela veio, ninguém sabe.
Do Oriente, talvez. Quem sabe, não?
Esperávamos sua chegada,
Com enorme ansiedade.
Já no auge da impaciência,
Eis que surge Marcelle!
Por isto demorou tanto.
Alimentava-se de brisa,
Bebia os raios de sol,
Caminhando passo a passo,
Sem muita pressa:
Apreciava o vôo do beija-flor,
Banhava-se na cahoeira,
Cheirava uma flor-do-mato.
De onde ela veio, ninguém sabe.
Do Oriente, talvez. Quem sabe, não?
Esperávamos sua chegada,
Com enorme ansiedade.
Já no auge da impaciência,
Eis que surge Marcelle!
quarta-feira, 15 de março de 2006
O CÃO
Deixa-me em paz, oh cão!
Não vês que tu me impedes
De escrever belos versos de amor,
Tão puros como o primeiro amor!
Venha compartilhar comigo toda a solidão,
Como o melhor amigo (embora desconhecido).
Tu estás só, oh cão!
Te compreendo, e por isso te acaricio.
Deixe-me em paz, oh cão!
Que culpa tenho se a cadela te deixou.
Passa daqui, oh cão!
Que estou sofrendo este mesmo mal de amor!
terça-feira, 7 de março de 2006
PEIXE DE MIRACEMA
(Uma epompéia rural)
Comprei uma fazenda na Estrada do Cafundó perto de uma vila que o povo chama de “Engenho”, mas o padre me disse que tinha mudado de nome para “Comunidade”. Era uma fazenda de leite, mas latrocínio não dá dinheiro. Vendi a vacada. A estrada da fazenda é muito lamurienta quando chove e pueril na seca. Pedi ao putrefeito para pichar a estrada. Não adiantava só cascaralhar, como sempre faz.
Construí a casa com uma afundação boa. Com doze calúnias. Em todas as janelas botamos safadas, porque minha mulher gosta de safadas. No tétano da sala penduramos um ilustre de cristal de moranga, o piso é de tábua escorrida – madeira de leite. A tipografia do terreno permitiu que fosse construída uma sarna embaixo, ao lado da garagem. A Casa tem quatro suíta com “close up”.
Nas minhas terras tem um morro, que dá para ver uma devassidão bem grande. Pretendo construir um almirante.
Queria criar peixe. Procurei um piscicólogo amigo meu. Tinha idéia de criar pracu, porque pracu é muito gostoso. Então ele me disse que pracu é peixe de miracema e que teria que comprar os avelinos todos os anos. Comprei cem mil avelinos de escarpa. Avelino você sabe: é a lava do peixe. Os peixes são racionados todos os dias pela manhã e de tarde. Os estanques são bem grande, escafunchada com restocravadeira de largata.
ZECA GOMES
Comprei uma fazenda na Estrada do Cafundó perto de uma vila que o povo chama de “Engenho”, mas o padre me disse que tinha mudado de nome para “Comunidade”. Era uma fazenda de leite, mas latrocínio não dá dinheiro. Vendi a vacada. A estrada da fazenda é muito lamurienta quando chove e pueril na seca. Pedi ao putrefeito para pichar a estrada. Não adiantava só cascaralhar, como sempre faz.
Construí a casa com uma afundação boa. Com doze calúnias. Em todas as janelas botamos safadas, porque minha mulher gosta de safadas. No tétano da sala penduramos um ilustre de cristal de moranga, o piso é de tábua escorrida – madeira de leite. A tipografia do terreno permitiu que fosse construída uma sarna embaixo, ao lado da garagem. A Casa tem quatro suíta com “close up”.
Nas minhas terras tem um morro, que dá para ver uma devassidão bem grande. Pretendo construir um almirante.
Queria criar peixe. Procurei um piscicólogo amigo meu. Tinha idéia de criar pracu, porque pracu é muito gostoso. Então ele me disse que pracu é peixe de miracema e que teria que comprar os avelinos todos os anos. Comprei cem mil avelinos de escarpa. Avelino você sabe: é a lava do peixe. Os peixes são racionados todos os dias pela manhã e de tarde. Os estanques são bem grande, escafunchada com restocravadeira de largata.
ZECA GOMES
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